Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Depois da bonança também vem tempestade

Alterando um pouco o sentido do ditado popular, confirmo que como uma espécie de ciclo recorrente, também depois de um estado de graça vem um estado de não tanta graça.

O provérbio original enuncia que depois da tempestade vem a bonança, mas necessariamente o contrário também terá que ocorrer.

Fiquei magoado mais pela forma como foi, do que propriamente com o acontecimento. O fim já o tinha pressagiado desde que te conheci. Sabia de ante mão que se acontecesse algo nunca seria sustentável, mas mesmo assim arrisquei. Não me arrependo.

Vou vos falar disto metaforicamente que é mais bonito.

Imaginem uma viagem de barco como um relacionamento. Um encontro num qualquer porto, lá estava ele. Encontrei-o e ambos estavamos sozinhos (continuo a pensar que sim). O primeiro contacto iniciou-se e logo ali ficou algo no ar, algo físico e químico. Decidimos juntos entrar num barco. Foi o barco possível. Tínhamos à partida conceitos de barcos diferentes, mas chegamos a um consenso e lá embarcamos no mais próximo dos dois.

Zarpamos sem destino à vista, num pequeno barco e às primeiras léguas fomo-nos conhecendo melhor. A viagem era feita lentamente e sempre não muito longe da costa, para manter proximidade com terra firme, mas apesar disso nem sempre em águas calmas. Também não eram muito atribuladas, mas naquelas condições não poderíamos ir muito longe. Contudo houve um momento em que arriscamos e fomos efectivamente mais longe. Por incrível que pareça as águas acalmaram e o vento foi favorável. Neste ritmo a viagem estava perfeita, até que por fim encontramos o paraíso, que sinceramente nunca pensei que neste barco e com ele fosse encontrar. Juntos estivemos naquele momento a apreciar aquela beleza e maravilha. Rara e já descrita em outro post.

Mas nem tudo é eterno e foi necessário abandonar esse local. Contudo tinhamos ficado com vontade de lá voltar um dia, até o expressamos. Contudo a viagem de regresso atribulou-se. Começou por pequenas ondulações e vento fraco, mas à medida que nos aproximávamos da costa as condições pioraram e daí a uma verdadeira tempestade foi um ápice. A tempestade passou por nós e quando tudo voltou a acalmar tinha-te perdido. Decidiste voluntariamente abandonar o barco quando as coisas ficaram piores. Já não estavas mais comigo e não sabia o que te tinha acontecido. Provavelmente terás achado que aquele barco não resistiria a mais tempestades e foste procurar um melhor e mais forte. Não te condeno por isso. Condeno-te por me teres deixado ali e não teres esperado por chegar a terra firme para tomares a tua decisão.

Ainda esperei durante um tempo que voltasses arrependido, mas isso não aconteceu e não tive outra alternativa que não regressar sozinho a terra firme. E foi assim a pequena viagem. Foi atribulada e acabou mal, mas valeu a pena pelo que contemplamos juntos.

Da mesma forma que sabia da fugacidade deste relacionamento também sei que nos vamos voltar a encontrar um dia. Afinal não existem tantos portos como isso.

O facto é que vou recuperar o provérbio original, depois da tempestade vem a bonança. E pela bonança vou esperar.

Por fim vocês perguntam-me se eu podia viver sem estes pequenos relacionamentos?!

Poder podia, mas não era a mesma coisa eheh


publicado por Ruy A... às 02:01
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5 comentários:
De sete a 18 de Novembro de 2009 às 15:06
Fiquei triste..... :(


abc



De Patroclo a 18 de Novembro de 2009 às 18:59
São estes relacionamentos fugazes que te preparam para o grande que um dia chegará :-)) Fica bem, abraço.


De Individual(mente) a 18 de Novembro de 2009 às 22:38
Já somos tantos à procura do "tal"...
Melhores dias virão :)


De André! a 19 de Novembro de 2009 às 02:54
Realmente...quando li o titulo percebi logo o que querias dizer. As metáforas tornaram o texto mais triste ainda... =(
Espero que essa bonança venha depressa.


De Speedy a 19 de Novembro de 2009 às 20:39
E quem sabe, da próxima vez, em vez de viajares de barco, pode ser que entres num jacto particular. Com direito a champanhe, sushi em direcção a um destino exótico. Abraço


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