Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Assumir!

Este é sem grandes dúvidas um dos grandes temas/problemas com o qual todos os LGBT têm necessariamente que lidar. Seja assumir-se perante ele próprio, seja assumir perante familiares e amigos.

Dividindo a questão desta forma para tornar mais fácil a sua abordagem, penso que o aceitar-se a si próprio é dos primeiros e mais importantes passos a dar. Dependendo de pessoa para pessoa este processo de auto-aceitação pode até demorar muito tempo. Achar que é uma fase ou simplesmente olhar como algo negativo e de errado. A passagem por esta situação de auto-aceitação é normal e saudável, porque penso que uma vez ultrapassada esta barreira, as coisas no futuro serão menos complicadas de lidar e é possível também que nunca mais nos coloquemos em causa devido à orientação sexual.

A forma de lidar com esta questão depende muito de pessoa para pessoa. Há quem necessite de opiniões de outras pessoas, amigos ou familiares, há quem consiga lidar com o problema sozinho. Sendo que é possível que neste último caso o processo seja mais moroso. Contudo acho que é importante escolher muito bem a pessoa com quem queremos falar sobre este assunto. Uma vez que no ínicio até nós nos sentimos pouco confiantes para falar sobre isso.

No meu caso em particular, entre os 18 e 19 anos foi quando tive o primeiro contacto físico com outro rapaz. E confesso que a coisa não correu lá muito bem. Primeiro porque fui apenas para experimentar a sensação e talvez tirar dúvidas acerca de tudo aquilo. Nada mais errado acho eu. Concentrei-me apenas no acto e não no que sentia pela outra pessoa. Resultado, as coisas não correram bem, senti repulsa por aquilo que fiz, não gostei de todo de ter feito sexo com outro rapaz, e o mais grave: senti que não queria aquilo para mim...

Se as dúvidas e as questões à priori já eram relevantes, muito mais acentuadas se tornaram depois do episódio. Precisei de um tempo para recuperar, para voltar a pensar em tudo isso, para equacionar voltar a estar com alguém.

Contudo apesar de ter passado um mau bocado com esta primeira experiência, foi com ela que consegui aceitar-me a mim mesmo definitivamente... Como? Não sei bem... Sei que não queria voltar a passar por aquilo, mas que o problema não estava no acto em si, mas sim na pessoa com quem partilhava o momento. Até porque depois comecei a interagir com outras pessoas pela net e vi que realmente não era o único na mesma situação. Comecei a preocupar-me em encontrar amigos com quem pudesse falar abertamente sobre tudo isto e depois se a coisa evoluísse logo se veria. Ou seja, assim meio sem me aperceber estava a lidar naturalmente com a situação com a ajuda de, na altura, desconhecidos, contribuindo para que me sentisse bem com aquilo que sou.

Bem, como viram não sou exemplo a seguir por ninguém lol Mas agora tenho a certeza que a melhor maneira de lidar com esta questão de aceitar é mesmo tratar não como um problema, mas com um aspecto natural da nossa vida. Não é necessário publicar e divulgar em Diário da República o que somos e porque o somos. O importante é tratar o que é natural com a devida normalidade e agir em concordância com isso mesmo.

Abreijos...


publicado por Ruy A... às 16:20
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14 comentários:
De Silvestre a 8 de Julho de 2009 às 16:43
O principal é mesmo assumir-se para si próprio. O resto vem por arrasto. É o mais difícil, mesmo quando a família aceita e os amigos estão na boa com a situação, muitas vezes a pessoa continua em rejeição. Mas não há receitas. Cada um tem de procurar a sua.


De REVISTAGAY a 8 de Julho de 2009 às 17:02
Bem! O que te posso dizer é que a minha primeira vez também foi algo muito estranho. Foi aos 17 anos e na altura também fiquei com muitas questões. Eu sabia que gostava de homens, estava cheio de vontade de estar corpo-a-corpo com um homem e quando estive a desilusão foi total. Odiei aquele primeiro momento. Mas enfim... Tens razão quando dizer que o assumir é sempre o maior problema. Eu pensava que no meu caso até já teria assumido e aceite aquilo que sou mas... a verdade acaba por ser outra.


De João C. a 8 de Julho de 2009 às 18:25
Pois...concordo totalmente...só conseguimos ir em frente se nos aceitarmos tal como somos....podemos nao o afzer e levar uma vida dupla...mas o sabor a frustração é tão grande...


De Philip a 9 de Julho de 2009 às 01:28
A minha experiência sexual foi horrível, que era muito novo e não estava mesmo nada preparado. Foi um bocadinho traumatizante. Se pudesse voltar atrás nada daquilo tinha acontecido e mater-me-ia intacto até encontrar alguém especial.

Quanto ao comming out, acho que é moroso, acho que é suposto ser moroso. Primeiro eu não fazia ideia do que era ser-se homossexual, segundo eu comecei a questionar o facto de não me querer envolver com raparigas, a pornografia na adolescência na qual só estava interessado nos 'homens'. Depois só com os meus 16 anos é que coloquei a hipótese de poder ser bissexual (porque era mais fácil para mim aceitar isso). Estava num turma de mulheres completamente homofóbicas, mas foram elas que me fizeram assumir para mim mesmo que era gay, numa discussão sobre casamento entre gays e a adopção, na qual eu era o único a favor.

Mas descobri que era gay e então?! Continuava a ouvir barbaridades à minha volta. Quando só há muito pouco tempo é que me assumi para alguns amigos e também só há muito pouco tempo é que comecei a falar com outros gays, etc.

Onde eu quero chegar é que é por fases...


De João C. a 9 de Julho de 2009 às 18:05
Ora nem mais!

Mas a adolescência nem sempre é fácil! Após a minha primeira experiência, achei aquilo tudo tão patético que não quis voltar a repetir tão cedo! Onde quero chegar, é que a pior parte do sair do armário, é o facto de sabermos que estamos a fazer o que está certo...mas sentimos sempre como se estivesse errado! Claro que parte muito da educação, mas é um processo que requer bastante maturação e não basta andar a soltar a franga....o que infelizmente acontece muitas vezes!


De Philip a 9 de Julho de 2009 às 19:18
Completamente.

É pena ter de ser tão complicado.


De João C. a 9 de Julho de 2009 às 19:22
O ser humano é complicado por natureza....caso contrário...tb nao teria piada:) lol so novo neste mundo dos blogues...espero safar-me


De Ruy A... a 9 de Julho de 2009 às 19:38
E então porque não crias um também e debitas para lá uns caracteres acerca de coisas deste género?!
É sempre positivo contar com mais pessoal.
Força nisso. :)


De A... a 10 de Julho de 2009 às 01:54
Olá! Nunca tive qualquer contacto sexual com ninguém e só dei o meu primeiro na semana passada! Sempre pensei que o meu primeiro beijo seria dado à pessoa com quem partilharia o resto da minha vida. Uma fantasia infantil...enfim, nem tudo corre como queremos. Mas não estou arrependido de o ter beijado. Claro que não se pode comparar um simples beijo com o acto sexual.
Os "outs" são complicados, o pior de todos é de nós para nós e depois os outros surgem com mais naturalidade e se não nos aceitarem, ficam a perder! ;)


De João C. a 10 de Julho de 2009 às 11:35
Ora ai está uma afirmação que dá pano para mangas...essa fantasia infantil de que tu falas, já deixou e há-de diexar muita gente mal...acredita!


De pinguim a 12 de Julho de 2009 às 22:10
Pano para mangas tem este texto e os vários e interessantes comentários que aqui têm sido postos. de todos vós só conheço pessoalmente o A..., mas sei que sois todos jovens e estão de certa forma ainda na descoberta da forma mais correcta de viver a vossa homossexualidade; mas vejo que estão a dar passos certos e não precipitados, o que é bom.
E há algo que todos reconhecem ser o mais importante e que está correcto: o mais importante é aceitar-nos a nós mesmos; feito isso, com maior ou menor dificuldade as coisas compõem-se.
Também fala das vossas primeiras experiências e é curioso que eu, embora bastante mais velho também não tive uma primeira experiência fabulosa...
Nos meus tempos, tudo era muito mais difícil, pois embora hoje haja ainda muita homofobia, as mentes estão mais abertas, apesar de tudo.
Desculpa o discurso, por ser tão longo.
Abraço.


De xavier. a 13 de Julho de 2009 às 00:16
Pois, por vezes e acho que quase sempre, a curiosidade e o momento levam-nos a fazer as coisas precipitadamente.
Acredito mesmo que no teu tempo tenha sido muito mais difícil e até te digo, quando me dizem ser corajoso por assumir a relação, acho que no teu tempo, quem se assumia, esses sim, tinham coragem!

Abraço


De xavier. a 13 de Julho de 2009 às 00:15
Bem, venho aqui atrasadinho comentar mas venho! :D

Quase toda a gente sabe que eu não sou o exemplo a seguir, talvez, no entanto, seja dos que melhor pode aconselhar por já ter passado pelos dois lados.
Eu era o suposto "estupor de merda party animal" e dormi com várias pessoas, a minha primeira relação sexual, tanto com rapariga, como com rapaz, não foi com pessoas que gostava mas sim pelo extâse e o momento, sem pensar no acto em si...
Talvez me arrependa, talvez não, tem dias...
Arrependo-me sim de não ter sido logo com o Frederico a primeira vez total, já que uma parte foi, mas também assim pude apreciar o grande valor que teve e tem cada acto sexual com o Fred.
E assim, posso também afirmar para que outros saibam, e por exemplo, tu saibas antes de pensares erradamente sobre o que realmente queres, que o sexo sem amor é diferente.
Cliché? Talvez, mas é um facto, porque eu já experimentei ambos, e são bastante diferentes.

Os meus 5 cent :P

Abraço!


De paulo a 13 de Julho de 2009 às 00:21
já toda a gente comentou o essencial: assumir-se a si próprio acima de tudo! e procurar amigos com quem falar do assunto, saudavelmente.
ah, nem sempre o contacto com o outro corre bem, ou simplesmente não corre como esperávamos: com fogo de artifício e tudo. o fogo de artifício chega depois, quando já se controla bem a ansiedade.

abraços


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